Autor do mês – Fernando Pessoa
Fernando Pessoa, um dos maiores poetas da língua portuguesa, nasceu em Lisboa em 1888 e morreu na mesma cidade em 1935. Era filho único de Joaquim de Seabra Pessoa, funcionário público, e de Maria Madalena Pinheiro Nogueira, dona de casa. Em 1893, o pai morreu de tuberculose e a mãe casou-se com o cônsul português em Durban, África do Sul. Pessoa mudou-se com a família para Durban em 1895 e lá recebeu uma educação inglesa. Aprendeu a falar e escrever fluentemente em inglês e português, e também estudou francês e latim. Começou a escrever poesia aos sete anos e aos dezasseis publicou o seu primeiro poema em inglês numa revista local.
Em 1905, Pessoa regressou a Lisboa para estudar na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Frequentou apenas um ano do curso de Letras e depois abandonou os estudos formais. Passou a trabalhar como tradutor, correspondente comercial e publicitário. Vivia modestamente num quarto alugado na baixa lisboeta e dedicava-se à sua vocação literária. Escreveu quase todos os dias, mas publicou pouco em vida. A maior parte do seu trabalho foi guardada em baús e gavetas, que foram descobertos após a sua morte. Foi um escritor prolífico e interessava-se também pela filosofia, astrologia, ocultismo e política. Deixou uma vasta obra poética e ensaística, considerada uma das mais ricas e complexas da literatura mundial. Uma das características mais notáveis da obra de Pessoa, a criação de heterónimos, que são personalidades literárias distintas que ele inventou para expressar diferentes facetas do seu pensamento e sentimento. Cada heterónimo tem seu próprio nome, biografia, aparência física, personalidade, estilo poético e visão de mundo. Pessoa conversava com os seus heterónimos como se fossem pessoas reais e até escrevia cartas entre eles. Alguns dos seus heterónimos mais famosos são: • Alberto Caeiro: considerado o mestre dos outros heterónimos, é um simples poeta e naturalista que vive no campo e canta a realidade sensível das coisas. Ele rejeita a metafísica, a religião e a cultura livresca. É autor do livro O Guardião dos Rebanhos. • Ricardo Reis: é médico radicado no Brasil e adepto do estoicismo e do paganismo clássico. Ele escreve odes horacianas que exaltam a serenidade, a moderação e a aceitação do destino. É autor do livro Odes. • Álvaro de Campos: é um engenheiro naval que viajou pelo mundo e se estabeleceu em Lisboa. É um poeta modernista que expressa o desencanto, a angústia e o tédio da vida urbana e industrial. É autor dos poemas Opiário, Ode Triunfal, Tabacaria e Ode Marítima. • Bernardo Soares: é ajudante de contabilista e trabalha num escritório na baixa lisboeta. É autor do Livro da Inquietação, uma obra fragmentária que mistura prosa poética, reflexões filosóficas e descrições da vida quotidiana.
Pessoa também escrevia em nome próprio (ortónimo), mas sem definir uma personalidade fixa ou coerente. Considerava-se um “drama nas pessoas” ou um “poeta de faz de conta”. Explorou temas como o sonho, a saudade, o nacionalismo mítico, o ocultismo e a heteronímia. Alguns dos seus poemas mais conhecidos são Autopsicografia, Mensagem, Português do Mar e Aniversário.
Fernando Pessoa foi um dos maiores poetas da língua portuguesa e um dos mais originais da literatura mundial. Criou um vasto e diversificado corpo de trabalho que reflete o seu génio criativo e a sua multiplicidade interior. Faleceu em Lisboa a 30 de novembro de 1935, aos 47 anos, vítima de cirrose hepática provocada pelo alcoolismo. Foi sepultado no Cemitério dos Prazeres e posteriormente transferido para o Mosteiro dos Jerónimos.